terça-feira, 18 de abril de 2017

***Colaboração***

ALÉM DA CABOTAGEM:
A DESNACIONALIZAÇÃO DA AVIAÇÃO CIVIL BRASILEIRA

(Foto: Solange Galante)



Por Marcelo Duarte Lins*

A abertura total do capital estrangeiro que saiu de 20 % para 100% nas empresas aéreas brasileiras vai muito além da cabotagem pura.
É sempre bom lembrar que os EUA permitem 25% e a União Europeia, 49%, no máximo, de capital estrangeiro nas suas empresas aéreas. Por que será?
São pouquíssimos os países no planeta que desnacionalizaram suas empresas aéreas. Entre eles temos o Chile, Colômbia, Singapura e Austrália.
Nenhum deles tem dimensões territoriais e características socioeconômicas semelhantes com as do Brasil.
Sem falar do problema de soberania nacional com questões de nossas cidades isoladas, fronteiras, invasões de terra e narcotráfico.
O que o governo Temer fez foi entregar o quarto maior mercado doméstico de aviação do mundo de mão beijada. Em outras palavras, promoveu muito mais do que a nona Liberdade do Ar, que trata do direito de cabotagem pura.
Neste sentido vale revisitar o artigo "Apagão aéreo e a entrega do estratégico setor aéreo ao domínio estrangeiro", que escrevi em 2006 juntamente com a jornalista Sônia D' Azevedo, publicado em alguns meios de comunicação.
Passado mais de uma década, hoje eu só trocaria a sigla CPI pela expressão "Operação Lava Jato".

"Além da desorganização, em todos os níveis, o que assistimos hoje, na aviação civil brasileira, é o desrespeito, em grau máximo, aos cidadãos-contribuintes – que pagam caro pelos serviços que não recebem – e aos trabalhadores do nosso setor aéreo – cujos postos de trabalho têm sido paulatinamente ceifados ou aviltados, num processo de desmonte jamais visto anteriormente no país. Ironicamente, tal ocorre quando temos um governo dos Trabalhadores, cuja atenção deveria estar focada na geração de empregos formais, no bem-estar social dos cidadãos e no cumprimento dos Direitos Trabalhistas.
Do desaparecimento da Varig, empresa 100% nacional, geradora de milhares de empregos e fonte de captação de divisas no exterior, à bagunça em que se transformou o controle do tráfego aéreo brasileiro, todas as etapas desse processo de degradação nos levam a uma análise do que vem ocorrendo em todos os setores industriais, a partir dos anos 70/80, quando a “Nova Ordem Mundial” instituiu o neoliberalismo econômico como filosofia e a desregulamentação do mundo do Trabalho como ação estratégica. Em sua essência, o neoliberalismo prega a “precarização” do universo do trabalho. Nesta corrente de pensamento, trabalhadores são intitulados “colaboradores” ou “parceiros”; salário é chamado de “remuneração”; horas extras vão parar num “banco de horas”, sendo trocadas por brindes de final de ano; direitos e indenizações trabalhistas desaparecem por meio de contratos de “terceirização” ou, quando cobrados, esbarram em leis de última hora que não apontam quem os pagará. É o homem explorando o homem e agindo, deliberadamente, para extinguir os últimos vestígios de Humanidade e Justiça nos ambientes de produção laboral. Desregulamentar os setores produtivos é o passo principal deste processo. 

Desregulamentação

No final dos anos 1970, os Estados Unidos iniciaram a desregulamentação de seu setor aéreo, estimulando o que chamavam de “política de céus abertos”. Permitiram, assim, a proliferação de companhias low cost (baixas tarifas), a contratação temporária da mão-de-obra de baixa qualificação por salários vis, e instituíram a concorrência predatória numa indústria cujo objetivo prioritário deve ser a segurança dos usuários. Em menos de dez anos, surgiram e desapareceram dezenas de companhias. E, com elas, dezenas de milhares de empregos. Nada, porém, que intimidasse a “maior economia do planeta”, visto que a mão-de-obra, já em si não regulamentada, rapidamente era absorvida por outros setores. O Brasil, “aberto” desde sempre às novidades globais, encantou-se com a política neoliberal e elegeu a navegação para experimentar o veneno. Ainda nos anos 1980, enquanto ostentava o título de “8ª economia mundial”, nosso país entregava sua marinha mercante a preço vil, começando pelo desmonte deliberado do Lloyd Brasileiro. Empresa estatal centenária, da noite para o dia o Lloyd foi transmutado, por ordem de nossos governantes, num mamute a ser extinto a qualquer custo, para que empresas privadas obtivessem mais lucro. Engano. O fim do Lloyd significou, também, a abertura de nosso setor mercante às companhias de navegação estrangeiras, que já praticavam, há muito, a política de “bandeira de conveniência” – espécie de prima-irmã daquela imposta pelos norte-americanos à aviação comercial. De setor altamente regulamentado, produtivo, gerador de empregos confiáveis e salários dignos, a navegação mercante brasileira tornou-se um arremedo de setor produtivo que, em vez de arrecadar, passou a provocar a evasão de divisas do país. Sem contar o prejuízo causado aos demais setores que gravitavam em sua esfera – infraestrutura dos portos, construção naval, maquinária especializada, estiva, entre outros. Nos anos 1990, a aviação. Se algo devemos ao governo Collor de Mello, além da abertura de nossos portões à entrada das grifes de luxo, sem dúvida, o começo do desmonte da aviação civil brasileira é fator inquestionável. Sob a toada de que a (verdadeira) Varig, nossa companhia “de bandeira”, monopolizava o mercado, o governo Collor implantou a concorrência predatória no setor, permitindo que a Vasp voasse as mesmas rotas – e para os Estados Unidos!!! Ora, na aviação existe um protocolo internacional intitulado “acordo de reciprocidade”. Se uma companhia de determinado país voar para outro, este último tem o direito de manter o mesmo número de voos de volta, para o país do parceiro. Ao “liberar” também para a Vasp, o Brasil permitiu a vinda de gigantes norte-americanas da aviação. E iniciou, em “grande estilo”, nosso desmonte. Decerto, já naquela época, abalar a estrutura da Varig era uma clara intenção, embora qualquer motivo para tal extrapolasse os limites do bom-senso. Afinal, todos os países cônscios de sua responsabilidade social e da importância do setor aéreo para a soberania econômica mantêm uma única companhia “de bandeira” voando rotas internacionais. O setor aéreo era, de fato, o último ainda plenamente regulamentado neste país. E, ao longo dos anos 1990, foi paulatinamente desarranjado. Sob o governo FHC o neoliberalismo, então florescente, enfim frutificou. De Brasília, sucessivas canetadas desmontavam parâmetros, permitiam transgressões, cassavam fontes de arrecadação e meios indispensáveis à sobrevivência do setor – como a possibilidade de obter por preço mais em conta o combustível, o querosene utilizado pelos aviões (QAV-1), produto nobre e caro, porém subsidiado por dez entre dez governos preocupados em “pensar estrategicamente” o fortalecimento, e não o enfraquecimento, de suas economias nacionais. A (verdadeira) Varig desapareceu no primeiro semestre de 2006, afundada em dívidas, asfixiada pela indiferença de nossos governantes para com uma verdade inquestionável: de que um país só vale, no mercado econômico mundial, aquilo que arrecada, em divisas e royalties. Se os Estados Unidos, após a “invasão chinesa” e a débâcle do dólar frente ao euro, ainda são considerados uma economia forte, é porque detêm o maior número de patentes registradas no planeta. Com elas, arrecadam royalties. Com sua movimentação, divisas. A nós, resta meditar sobre uma impressão antiga – mas recorrente e, portanto, atual -, firmada por Eduardo Galeano em suas “Veias abertas da América Latina”: nascemos para sermos colonizados e explorados. O fim da (verdadeira) Varig parecia sinalizar, para as concorrentes nacionais, o fim de um “monopólio” nos céus e a possibilidade de novos mercados, lucros maiores. Ilusão: não tinham nem estrutura, nem conhecimento, nem sabedoria para herdar (ou abocanhar?) os bens e produtos da “pioneira”. Até o momento, só as concorrentes estrangeiras estão lucrando (e muito, de forma até exorbitante). Enquanto isso, o país perdeu milhares de postos de trabalho estáveis, salários dignos, impostos pagos e divisas certas. Em nome do quê? Satisfazendo aos interesses de quem? Façam suas apostas, senhores!!!

CPIs do Apagão Aéreo

Eis que, logo após o “desaparecimento” da (verdadeira) Varig, um acidente aéreo em território nacional, envolvendo outra empresa brasileira, a Gol, “detona” uma crise sem precedentes no segmento do controle do tráfego aéreo nacional. Até que ponto, porém, a tragédia de setembro de 2006 não foi apenas um reflexo de todo o desmonte que já vinha ocorrendo em nosso setor aéreo? A investigação deve ser profunda, sob pena de jogarmos para baixo do tapete do esquecimento as falcatruas e “vistas grossas” levadas a termo nos últimos anos – o câncer, enfim, que vem corroendo as entranhas da nossa aviação civil. Que a CPI do Apagão não se apequene, não se transforme apenas numa Comissão de Investigação de Acidentes Aéreos. Que se investigue com profundidade o “fatiamento” e venda da (verdadeira) Varig, num leilão envolto em tanta suspeição que motivou investigação parlamentar na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro!!! Que a CPI do Apagão discuta e reveja o conceito de “empresa nacional” e o aumento de capital estrangeiro que vem sendo proposto, no Senado, para as empresas de aviação. O setor aéreo é vital para a integração e o desenvolvimento de um país, principalmente quando possui a dimensão territorial de um Brasil. Por definição, o transporte aéreo regular é um serviço de concessão pública. Portanto, o Estado brasileiro tem o dever de proteger a aviação comercial contra a concorrência ruinosa e impatriótica, promovendo seu indispensável e imediato reordenamento, além de anular as vendas ilegais da Varig, da VarigLog e da VEM a grupos estrangeiros, assumindo os serviços concedidos ( CF, art 21- XII, “c” ). Para realizar um trabalho efetivo, condizente com seu dever de zelar pelo bem-estar e segurança do povo e respeitar os direitos do cidadão-contribuinte, o Congresso Nacional precisa, apenas, ter em mente que a corrente neoliberal, por meio do capital estrangeiro, há muito prega a desregulamentação dos setores produtivos das economias emergentes. Infelizmente, o Brasil vem fazendo este jogo. O que assistimos, hoje, é um processo que traz somente prejuízos ao país e ao povo brasileiro. Se o Congresso Nacional – única instituição investida do poder suficiente – não estancar agora esse curso, só restará às futuras gerações de brasileiros uma colocação precária, de meio expediente, em redes de fast food ou drugstores, cujas marcas são fortes patentes que geram bilhões de dólares em royalties... mas não para nós."

Política que o Brasil precisa implementar no Setor Aéreo:
- Conservar o mercado brasileiro de aviação
- Revitalizar a Indústria Nacional
- Manter e criar empregos
- Desonerar o Setor Aéreo
- Estimular uma indústria sadia e um Transporte Aéreo Seguro

- Céus brasileiros para trabalhadores brasileiros.

*Marcelo Duarte Lins / 19 mil horas de voo.
Formado pela Academia da Força Aérea - Bacharel em Ciências Aeronáuticas.
Voou na VARIG
Atualmente, como piloto expatriado, voa nas Linhas Aéreas de Angola (B737-700) como examinador e checador
Autor do livro "Caso VARIG"

(Foto: Solange Galante)
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sexta-feira, 14 de abril de 2017

DEU N@ INTERNET

Enquanto isso, voando pela United Airlines....

http://g1.globo.com/mundo/noticia/passageiro-e-picado-por-escorpiao-durante-voo-da-united-entre-eua-e-canada.ghtml

DEU NO F@CEBOOK!

DE "AEROPORTO DA DEPRESSÃO" 

" Muito triste em informar, mas hoje grandes setores do call center LATAM acabaram. As informações que chegaram para nós foram bem divergentes, mas ao que parece, acabaram com o setor FALE, CallCenter, e a remarcação. (Todos na rua augusta) Infelizmente, foi uma demissão em massa, pois vão terceirizar o serviço. Desejamos força, e que algo melhor apareça para o funcionários que foram demitidos, pois há coisas que nós não perdemos. E sim, nos livramos. Parabéns a todos vcs que perdiam fins de semana pra ficar ouvindo abobrinhas, por causa de decisões irresponsáveis que eram tomadas em cima da hora. E sobre a Latam, nem tem o que falar. É corte, corte, corte... tão cortando o que podem e o que não podem. O resultado disso todo mundo já esta vendo. Só abrir a página da latam pra ver. Só ir no aeroporto ver a cara dos funcionários. Às vezes Latam, o barato sai caro. A foto é uma triste recordação. A pessoa que enviou, até o momento da postagem não me disse se podia postar ou não, e como não temos autorização dos outros, borrei todos os rostos. Qualquer coisa, manda msg pra gente. Sorte à todos. "Segurança, atenção, e eficiência..." esse é o slogan da Latam. "


Obs: Veja completo, com foto e comentários em
https://www.facebook.com/AeroportoDepressao/photos/a.388794354532042.91458.388785891199555/1309709669107168/?type=3&comment_id=1310242982387170&notif_t=comment_mention&notif_id=1492092182576931

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Plantão Caixa Preta

AS IMAGENS FALAM POR SI...

http://g1.globo.com/mundo/noticia/video-de-homem-sendo-arrancado-de-aviao-nos-eua-choca-internautas.ghtml


As desculpas vêm a seguir...

E minha homenagem à companhia que trata passageiro como violão
(ambos devem ter o devido respeito) é musical:


https://www.youtube.com/watch?v=5YGc4zOqozo

https://www.youtube.com/watch?v=h-UoERHaSQg

https://www.youtube.com/watch?v=P45E0uGVyeg



PÉROLAS VOADORAS!

NOSSA INESTIMÁVEL COLEÇÃO DE PÉROLAS VOADORAS!!!

Em nova fase, nossa coleção de "Pérolas Voadoras" vai  contar os pecados e pecadores e estreia com a TV Globo e um erro de edição/seleção de imagens!

Foi ontem, durante reportagem (excelente, por sinal) sobre a sobrevivência de uma das passageiras do voo da KLM envolvido no famoso acidente de Tenerife (27 de março de 1977), que pode ser vista no link http://g1.globo.com/fantastico/edicoes/2017/04/09.html#!v/5789111 .

Só que, ao mostrar as imagens do combate ao fogo nos aviões acidentados, algumas rápidas imagens mostraram outro acidente, que nada tinha a ver com o acidente que era tema da reportagem. No caso foi o acidente com o DC-10-30 N1032F da Overseas National Airways - ONA, que se acidentou durante a decolagem após a ingestão de pássaros por seus motores, no aeroporto Kennedy em Nova York em 12 de novembro de 1975, ou seja, nada a ver...

Confirma com nossa captura de imagens:




Com certeza a pressa para editar o material e a não participação do repórter na edição contribuíram com esse engano, porque um olhar mais atento logo mostraria a enorme diferença entre as aeronaves acidentadas nos dois casos (747 e DC-10).

Agradecimentos a Christian Chriscolo Saavedra pela ajuda a reconhecer o acidente da ONA, uma estranha no ninho, digo, na reportagem da Globo!

***Colabore você também nos enviando "pérolas" da imprensa escrita, de rádio, TV e internet!***